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Em
ambiente de Academia e no mesmo dia será feito o lançamento do livro
de Abílio Aires Wolney Neto Um Homem Além do Seu Tempo, ou seja,
também será no dia 27 deste mês de dezembro, às 19h30min., no salão
do Colégio João d'Abreu. No mesmo evento será lançado o livro Meus
Versos e Canções, de tia Irany Wolney Aires. Os convites,
endereçados pela Academia Dianopolina de Letras – ADL estão em
anexos virtuais. O prefácio do livro de Abílio ficou a cargo de José
Alencar Costa Aires. Diz ele:
“TRABALHO sincero, brotado do leito de literatura simples, jungida
de carinho e luz. Não é a primeira obra de Abílio não será a última.
O seu trabalho, de incansável pesquisa, é duradouro pelo alcance do
seu objetivo, pela escolha de seu fundamento, pelo mérito, pela
serventia em trazer a lume, louros de nossa História. Dianópolis se
enriquece com isso. Dianópolis é vaidosa. Ela agradece enaltecer
seus valores ao brilho de oloroso trabalho, quando recria com
singeleza e sensibilidade, décadas áureas de nossa querida Cidade,
ao tempo em que lá residia um dos grandes luminares de nosso tempo,
o Pe. Magalhães. Seu trabalho é seco. Justo. De aprofundada
felicidade. Abílio nos premia com esta obra valiosíssima, de cunho
histórico, obedecendo o rigorismo da pesquisa, como já disse, para
nos encaminhar, através de literatura leve e gostosa, às antessalas
da vida deste homem notável e precioso. Dianópolis, eu sei,
agradece, em nome de seus filhos, o seu trabalho de alta lavratura,
a sua labuta em prol de nossa velha e amada DIANÓPOLIS, para que ela
caminhe na trilha daquele que a quis diferente, luminosa e para o
qual você cunhou essa obra.
O
enredo do livro cuida da vida e obra do Mons. João Magalhães
Cavalcante ( O Pe. Magalhães), desde a sua formação seminarista,
passando por Porto Nacional, Campos Belos, Dianópolis e atualmente
em Peixe-TO. O seu perfil de professor, primeiro Direitor do Colégio
João d'Abreu e a sua visão futurista, quando construiu às expensas o
Coreto de Dianópolis, trouxe a primeira amplificadora de som, os
festivais e o serviço de auto-falantes “Maranata”. O Cinema em tela
panorâmica, o primeiro aparelho de rádio, a construção do Juvenato
D. Alano (internato). O livro registra um importante evento, que foi
a presença do ex-Presidente Juscelino Kubtschek em Dianópolis, no
ano de 1961, cujo discurso de recepção foi feito pelo Pe. Magalhães.
No mesmo ano, Juscelino seria Paraninfo da turma de formandos do
Colégio João d'Abreu.
O Des.
Liberato Póvoa fecha o meu livro, falando sobre o protagonista Mons.
Magalhães, quando chegou a Dianópolis:
“Jovem, pouco
mais de vinte anos, entusiasmado, intimorato, visto de
muitos anos na frente: era o Padre Magalhães, hoje
Monsenhor. Recebemos um pastor de almas, que, por uma jogada
do destino, veio a ser uma referência na formação de várias
gerações de Dianópolis, Porto Nacional, Natividade,
Taguatinga, Campos Belos, Conceição, Taipas e extrapolava as
fronteiras estaduais, recebendo estudantes de Barreiras
(Bahia), Belo Horizonte e Araxá (Minas Gerais) e até do Rio
de Janeiro, pois a fama do ensino imposto pelo jovem e
diligente padre, mercê de uma formação mais do que sólida,
atraiu gente dos mais longínquos rincões.
E com o mesmo
entusiasmo com que recebeu os ensinamentos de Grego,
Hebraico, Latim e Teologia, tentou abrir nossas cabeças
xucras para jogar lá dentro coisas que não entendíamos e que
soavam como do outro mundo.
Duro,
disciplinador, inimicíssimo de “cola”, padre Magalhães
bebera no Seminário do Caraça , em Belo Horizonte,
ensinamentos que lhe transmitiram os maiores luminares da
época, trazendo-nos a filosofia do “Centro Dom Vital”, de
Gustavo Corção, Alceu Amoroso Lima, e outros expoentes, como
os sempre lembrados padres Orlandos: um Machado; outro,
Vilela. O certo é que, apesar de inflexível, enfiou nos
nossos moucos ouvidos rudimentos do hebraico, do grego e
outras gatimônias linguísticas, assustando-nos quando
rabiscava na lousa caracteres cirílicos, parecendo
sapinhos-de-rabo, que estavam muito além das fronteiras do
nosso conhecer.
Peguei aquele
jovem padre como professor de Português, Literatura, Francês
e Latim: saído, naqueles diinhas, recém-ordenado, lá de Belo
Horizonte para Dianópolis, já chegou botando a gente para
cuspir marimbondo: ensinou-nos de tudo, falou de Shakespeare
e Camões, de Rostand e Claudel, de Maquiavel e Renan, de
Dante e Petrarca, de Boileau e Montesquieu e Literatura
Universal: revirou o latim pelo avesso com as declinações e
os verbos, as raízes e todas aquelas esquisitices (pelo
menos para nós na época ) subitamente abolidas pela nova lei
do ensino. Foi sacar o Latim das escolas, e o ensino do
vernáculo faliu.
E não ficou
só nisso: ele botou na cabeça que nós tínhamos de saber
grego e outras caraminholas, que ele desenhava no quadro
negro, parecendo – como disse – cobrinhas e sapinhos-de-rabo.
A justificativa era a de que ao sairmos do Ginásio para
enfrentar outros centros não podíamos passar vergonha. E a
idéia do velho e saudoso mestre frutificou; não houve, na
época, um só aluno dele que fosse reprovado em nada na
cidade grande, fosse em concurso, fosse em exames de
seleção. E mais: os primeiros lugares, quando algum
concorria, já tinha cadeira cativa.
Como
professor polivalente ou como diretor do Ginásio, era
respeitado, e ai daquele que ousasse negar o corpo diante de
uma determinação sua. Professor de Português, Francês e
Latim extrapolava suas cadeiras, levando-nos a um passeio
imaginário em todos os campos do conhecimento. E o esforço
do velho mestre, que víamos com asco e até antipatia, deitou
raízes sólidas num Carlos Alberto Wolney, que escondia atrás
da imensa modéstia um poço de capacidade, continuando a sua
obra no sacerdócio de transmitir os ensinamentos a outras
gerações.
A muque, se
preciso o velho mestre obrigava-nos a aprender, desde a
elementar primeira declinação até as raízes de verbos, que
para nós soavam como excrescência linguística, sem falar
numa universalidade de conhecimentos da literatura mundial,
pois ainda no Ginásio conhecemos Emmanual Kant, Erasmo de
Roterdam, Camões, Dante Alighieri, Francesco Petrarca,
Shelley, Paul Claudel, Paul Valery, Mallarmé e todos os
expoentes da literatura mundial. Ali naquele interiorzão,
que era ainda mais inóspito, tivemos contato com as obras de
Torquato Tasso, Ludovico Ariosto, Giovanni Boccaccio,
Nicolau Maquiavel, e soubemos o que eram Mahabharata e
Ramaiana e quem havia sido Osmar Khayan. Botou-nos para
decorar “Lê Bois Amicale”, de Valléry, “Lê Lae”, de
Lamartine”; “Il est midi”, de Claudel, e outras páginas que
ainda hoje são quase inacessíveis naquele interiorzão.
E quando a
nova metodologia de ensino resolveu abolir o latim, foi como
uma sombra pairando na sua cabeça: ele, que dizia missa em
latim, dava aulas de latim e só não conversava em latim por
falta de parceiro, sentiu um grande vazio.
Achamos –
como ele – injustificável, inoportuna, essa proscrição. Não
por ser fácil ou gostoso de se estudar, mas por nos colocar
nas mãos a razão de ser da Flor do Lácio, além de
desenvolver o raciocínio na dança das declinações”.
CLIQUI AQUI E VEJA O
CONVITE
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